James Bay Brasil

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Pink Lemonade, Us e Slide serão as próximas músicas lançadas por Bay.

Wild Thing: Por dentro da sensacional reinvenção de James Bay em 2018.

Por James Hanley em 26 de Fevereiro de 2018 ás 3:51PM

Passados mais ou menos 15 minutos do encontro com James Bay, em um espaçoso estúdio em Islington, o grande elefante branco da sala ganha destaque.

O cabelo grande e chapéu característicos de Bay – tão associados ao cantor/compositor britânico – foram deixados de lado sem cerimônia, antes do lançamento do álbum número dois, mas por quê?

“Estava na hora”, sorri Bay, antecipando a questão inevitável. “Foi tão intencional criar um estilo próprio com o cabelo e o chapéu quanto foi se afastar do mesmo cabelo e chapéu. Evolução – isso me move.”

Enquanto sua reinvenção fez com que o modelo de 27 anos olhasse para frente, um pop star escolher abandonar o que já era certo em um ponto crítico de sua carreira é, sem dúvidas, uma atitude corajosa – ainda que, como Bay, essa pessoa pareça ter acabado de sair de uma passarela de Milão.

“Quando um look padrão começa a funcionar e você é conhecido por algo mais que apenas a sua música, o pessoal do marketing e da gravadora adoram,” sugere Bay. “Então quando eu disse, ‘Não, vou me livrar disso’, eles ficaram tipo, ‘Que?’ Eu não avisei a eles com muita antecedência, mas isso diz muito sobre a ótima relação que tenho com minha gravadora – eles abraçam o que eu quero fazer. É tudo sobre evolução, sobre começar de novo – mesmo cara, nova versão.”

Não é apenas a imagem que mudou: Wild Love, a primeira fatia do segundo álbum ainda-sem-nome de Bay, marca uma mudança distinguível de direção, evocando comparações com Drake e Frank Ocean.

“Fico feliz em ouvir isso,” ri Bay. “Wild Love é um exemplo de como Drake, Prince e Frank Ocean foram grandes influências neste álbum. Ao mesmo tempo, Bowie, Blondie, The Strokes, LCD Soundsystem foram influências tão fortes quanto – só talvez não tão óbvias nessa música.

“Há músicas nesse álbum que parecem mais similares às antigas e, por isso, mais seguras, como um primeiro movimento, e então há outras que são tão diferentes das antigas, que me pareceram um pouco mais arriscadas. Nunca foi minha intenção ir pelo que era seguro, então, nós precisamos encontrar um meio termo – e Wild Love foi o meio termo perfeito.

“Estou confiante com as coisas que crio e quero surpreender as pessoas, quero virar suas cabeças e fazê-las aumentar o volume do rádio. É por isso que Wild Love pareceu ser o primeiro passo correto.”

Que ela foi bem-sucedida em desafiar certos preconceitos, é música para os ouvidos de Bay. “Algumas pessoas que ouviram a música disseram, ‘Quem é esse?’ E elas não conseguem adivinhar,” ele observa.

“Eu adoro isso – porque quando elas descobrirem que sou eu, elas serão, repentinamente, tomadas com essa ideia da evolução da minha música e minha enquanto artista. Foi o certo e mais empolgante primeiro passo, e isso mostrou às pessoas que dessa vez não será o mesmo som que foi da primeira vez.

“A música alimenta tudo. Ela informa o resto. Assim que eu comecei a escrever essas músicas, eu sabia que não poderia me apresentar como a mesma coisa. Eu não poderia tocar essa música com minha camiseta pequena e estreita, um grande chapéu e cabelos longos soltos, teria parecido errado. Eu adoro artistas que evoluem e o correto é fazer isso.”

Bay foi bem dono do seu próprio nariz nesse aspecto, salienta Ted Cockle, presidente da Virgin EMI. “Nenhum de nós ficará com o crédito,” ele explica. “O artista foi a pessoa que categoricamente levou as coisas à frente e, quando [Wild Love] foi tocada, nós achamos que essa era a melhor representação de levar algo à frente.

“Ela ainda tinha a emoção de músicas como Let It Go e Hold Back the River que o representam tão bem. Você não pode fugir de tudo, e nós achamos que, se fôssemos reter um elemento de James Bay, seria provavelmente aquela emoção – a qual Wild Love pareceu ter em abundância.”

Bay, nascido em Hertfordshire, está trabalhando em uma posição de poder – seu álbum de estreia, topo das paradas de sucesso, Chaos And The Calm (2015) vendeu 811.082 cópias no Reino Unido, de acordo com a Official Charts Company. Bay fez turnê extensiva para promover o álbum, mas gastou a maior parte de 2017 trabalhando no álbum sucessor.

“Ele ficou pronto bem rápido,” diz ele. “Isso não significa automaticamente que ele é ótimo mas, se você tiver sorte, o álbum fica pronto rápido e é ótimo. Eu comecei a compor esse álbum há um ano. Ninguém disse, ‘Nós precisamos logo de um single novo,’ mas eu tinha muita energia em mim para fazer música nova e fazer algo que sonoramente ainda não tivesse feito antes.

“Eu tive muitas novas influências e fiquei inspirado em fazer outras coisas, para mudar o som e ir para algo maior – muito maior – algumas vezes, mas ainda respeitando a dinâmica mais íntima que eu sou conhecido por.”

“Você não pode controlar o ritmo que as coisas se encaixam – é um pouco de sorte. Mas coloque bastante trabalho árduo e você deve conseguir fazer essa sorte andar um pouco mais rápido.”

Se há um jeito fácil e um difícil de se tratar essa “dificuldade” do segundo álbum, Bay tem seus pés no chão. Cockle está ciente das possíveis armadilhas comerciais de tal abordagem.

“Deve o artista dar às pessoas o que elas já esperam dele, ou deve ele seguir em frente?,” pondera ele. “Essa é sempre a decisão assustadora que os artistas devem tomar.

“Você sempre corre o risco de se afogar no comércio quando se torna mais aventureiro e progressivo com seu som; É sempre o dilema e isso torna tudo mais assustador e empolgante.

Ele cita Frank Ocean e James Blake em termos de inspirações sonoras e seus álbuns não necessariamente estouraram nas paradas ou venderam o maior número de cópias – e ele está consciente disso. Por outro lado, o álbum dele tem a profundidade dos outros, mas com músicas mais convencionais, as quais nós acreditamos que podem tocar nas rádios por muito mais tempo.”

Quaisquer que sejam os riscos a curto prazo, Cockle está seguro de que a mudança valerá a pena a longo prazo. “Eu acho que ele acaba de garantir para si mais uma década na indústria, por contrariar tantas pessoas,” ele diz. “Ele mostrou que pode agir em níveis muito diferentes e surpreender as pessoas.”

Os primeiros sinais são encorajadores: Wild Love atingiu a 39ª posição nas paradas mesmo com pouquíssima divulgação, e as expectativas permanecem altas. “Nossa ambição é de, claramente, chegar no enorme sucesso de Chaos And The Calm,” declara Cockle.

“Nós não vemos nenhuma razão pela qual não deveríamos ter essa meta novamente em nossos radares. Nosso plano é nos certificarmos que, mesmo que hajam algumas músicas mais aventureiras, todo mundo encontre algo em comum com o álbum, que pode funcionar para eles, em todos os lugares que ele (James) foi bem-sucedido antes.”

Esboçando a estratégia com meses de antecedência, Cockle revela que várias músicas serão lançadas antes do álbum, “Em Março, nós temos Pink Lemonade que certamente, dada a resposta dos Estados Unidos à música, será particularmente boa no local e em alguns de seus mercados.

Então Us vem em Abril e nós temos a canção Slide, que é mais lenta, então, ainda há muitas camadas por vir, mesmo antes do lançamento do álbum.

“Ele tem o visual de uma estrela de cinema e suas canções emotivas, o que significa que nós ainda temos muitas músicas meio termo, que podem funcionar em vários formatos de rádio.

Eu adoraria que as pessoas ouvissem os extremos nesse álbum: Algumas músicas são mais imediatistas e outras mostram a profundidade e qualidade do talento dele, enquanto você cava mais fundo. É como um menu com sete pratos para provar.”

Sobre as dificuldades do gênero rock com o streaming, Bay continua confiante na capacidade que uma canção estelar tem de transcender fronteiras musicais. “Eu acho que se você tem uma ótima música, ela será ouvida,” ele diz. “Não é sempre que funciona, mas foi o critério mais importante para mim – uma ótima canção é a regra de ouro.

“Eu não teria tido a confiança de mostrar para alguém aquela música ou de colocar Pink Lemonade no álbum se não acreditasse firmemente que é uma excelente música.

Então, enquanto há uma estatística que diz que música rock é mais difícil de ser ouvida, isso não vai impedir ninguém de tentar – ou, pelo menos, não deveria – porque no fundo todas as maiores músicas de rock são excelentes músicas. Eu acredito nisso.”

O cantor assinou contrato diretamente com a Republic Records nos Estados Unidos seguindo um disputado cortejo no final de 2012. “Eu estava em Kentish Town, tocando em um pequeno pub, e um cara me filmou com uma câmera enorme,” relembra Bay.

“Eu estava tocando acusticamente algumas das músicas que eu já tinha para o primeiro álbum – Move Together, When We Were On Fire – e o cara tinha essa câmera gigante no ombro durante meu meu set de três músicas. Ele filmou duas delas e colocou uma no YouTube. Eu descobri depois que ele era um cinegrafista.

“Algum tempo depois, pouco antes do Natal, eu comecei a receber ligações de algumas gravadoras e uma das primeiras foi a Republic.

Eles disseram, ‘Nós adoramos sua música e gostaríamos de te trazer para Nova York.’ Eu me encontrei com algumas das outras gravadoras, mas a Republic era a certa, eu me dei muito bem com eles e eles eram muito legais e continuam sendo até hoje, uma galera muito, muito bacana.

Em Fevereiro eu tinha assinado com a Republic – tudo porque eles encontraram esse vídeo nas profundezas do YouTube, eu realmente não sei como eles o acharam – ele tinha 22 visualizações. Felizmente, foram as 22 certas!”

Ele continua: “A Republic entendeu e abraçou o fato de que eu sou um artista inglês, na questão de que é lá que eu moro, então eles fizeram um acordo, onde a Virgin cuidaria diretamente de 99% das coisas que eu fizesse lá e a Republic cuidaria de tudo que ocorresse pelo resto do mundo.

A Republic sempre terá a palavra final sobre o que eu fizer aqui no Reino Unido mas eles confiam bastante na Virgin, e a Virgin entende o que a Republic precisa.”

O progresso de Bay tem sido rápido e foi reconhecido pelo BRIT Awards – ele ganhou o prêmio de Escolha dos Críticos (Critic’s Choice Honour) em 2015, seguido por Melhor Artista Britânico Masculino 12 meses mais tarde. O que fez o público se conectar tão profundamente com Chaos And The Calm?

“Ótima pergunta, porque você nunca tem como saber,” responde Bay. “Eu acho que ele foi confiável, acessível, mas único e tocante – a combinação certa dessas coisas. Musicalmente, não tinha nada de diferente, mas elas eram músicas novas e eu era um artista novo. Isso proporciona um som empolgante e fresco para muitas pessoas.”

O sucesso estrondoso de Chaos And The Calm se deveu parcialmente, é claro, aos singles Hold Back The River que vendeu 1.549.622 de cópias e Let It Go que vendeu 1.224.372 de cópias, as quais atingiram a segunda e décima posição, respectivamente, no Reino Unido. Ele esperava ficar tão conhecido, tão rápido?

“Você sonha sobre como essas músicas que você escreveu – e que ama tanto – farão você ficar superconhecido e te levarão ao redor do mundo,” reflete ele. “Essa é a visão egoísta; a visão realística diz que isso não necessariamente vai acontecer, então ver acontecendo foi uma grata surpresa.

“Tocar no palco Pyramid no Glastonbury e ter 60-70.000 pessoas cantando Hold Back The River em uma sexta à tarde foi um dos melhores momentos da minha vida, com certeza.”

Bay, que é representando por Paul Franklin, CAA, retorna aos palcos para um show intimista no Brixton Electric em 15 de Março. Ele também se apresentará nos festivais Isle Of Wight e TRNSMT no verão (do hemisfério norte). “Ainda tem muitas datas para serem confirmadas,” ele completa.

“Eu participei do Isle Of Wight em 2015 e foi muito divertido. Nos apresentamos no palco principal enquanto o sol se punha em uma tarde de sábado e tinha uma multidão na plateia. Alguém da plateia cantou comigo If You Ever Want To Be In Love [música do Chaos And The Calm]. Esse foi um pequeno momento muito bom.”

O encanto por Bay se estende muito além de sua pátria. “Sua base de turnê é gigante por todo o mundo,” reconhece Cockle. “Ele se deu bem em vários mercados diferentes.”

E no que diz respeito a Bay, isso é apenas o começo.

“A última coisa que você me disse foi, ‘Nós vamos te ver em estádios?’ E isso é um com certeza,” diz Bay, fazendo referência a uma entrevista anterior com o Music Week sobre o lançamento de sua guitarra, pela Epiphone, em Julho do ano passado. “Eu não acho que teria sido capaz de fazer isso se não tivesse estabelecido metas maiores e melhores que as anteriores.

“Me disseram que Chaos And The Calm obteve 3 bilhões de streams de suas músicas em todas as plataformas – fantástico! Eu estou muito orgulhoso de tudo o que consegui com esse álbum, mas esse é o ponto de partida.

Por que eu faria isso se não quisesse eclipsar essas conquistas? Isso é quem eu sou — isso é ousado para caramba mas não me assusta.”

Se Bay não conseguir atingir seus objetivos, você pode ter certeza que não vai ser por falta de tentativa.

“Eu só tenho uma chance nisso e não estaria aqui agora se realmente não acreditasse que [o novo álbum] está pronto e vai chegar longe,” ele diz.

“A expectativa é bem maior do que da primeira vez. Concluo da mesma forma que da última vez que te vi: Arenas – com certeza – ao redor do mundo inteiro.”

 

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Music Week | Tradução e adaptação: Equipe James Bay Brasil – Não reproduzir sem os créditos.

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“E em determinado momento, eu senti que o chapéu e o cabelo longo não combinavam mais com minha música.”

Entre Chaos and The Calm, sua mudança radical – musical e visualmente, seu novo álbum, principais inspirações e melhoria de vida, James bateu um papo descontraído com Michael Gebhart, apresentador de um programa na estação de rádio alemã WDR1, no último dia 23.

Primeiramente, Michael perguntou a James se ele “mudou muito“. Como em entrevistas anteriores, o cantor afirma que não, que as músicas estão diferentes porque essa era sua intenção desde o início. Ele diz que queria evoluir e fazer algo novo e que de repente seu cabelo longo e chapéu não combinavam mais com as novas músicas que estava fazendo. Ao finalizar o primeiro single do novo álbum, ele percebeu a necessidade de criar uma nova personna.

Sobre esta nova fase, James diz ainda que todo artista sente essa necessidade de mudar, de ter inspirações musicais e testar novos estilos, de se reinventar.

Em seguida, é pedido que James cite alguns dos artistas que mais o inspiraram atualmente. Ele conta que David Bowie, Frank Ocean, Lorde, LCD Soundsystem, Blondie, Chance The Rapper, Prince, foram suas principais fontes.

Perguntado sobre a melhora de sua condição financeira, James responde que não vive uma vida extravagante, que agora consegue comprar mais ingressos e ir a mais shows, que comprou uma casa, e  que gasta com coisas desse gênero, as quais  não podia fazer antes, mas que, fora isso, pouco mudou e que continua vivendo de forma simples e modesta.

Bay conta ainda que mantém os amigos de antes da fama e que se orgulha de dizer que não mudou com eles e nem eles com ele.

Sobre seu novo trabalho, James diz que começou há muito tempo mas que demorou a concluí-lo por conta da turnê Chaos and The Calm, que não o deixava com muito tempo disponível para gravar. Ele continua, dizendo que sairá em turnê antes do lançamento de seu novo álbum (na primavera europeia). Maiores informações sobre o assunto estarão disponíveis em breve.

Ao fim da entrevista o compositor cita ainda Kings of Leon, Bruce Springsteen, Ryan Adams, The Rolling Stones como principais influências de seu primeiro álbum e a importância de ter crescido em um ambiente tão rico e diverso musicalmente.

Fonte | Tradução e adaptação: Equipe James Bay Brasil – Não reproduzir sem os créditos.

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