Após pouco mais de um mês desde o lançamento de Electric Light, decidimos fazer um post tentando explicar o que nós, da equipe James Bay Brasil, entendemos sobre o álbum.

No geral, podemos dizer que Electric Light é um relacionamento, ou ao menos, que conta a história de um. Desde a Intro até Slide, a intenção das 14 músicas parece ser a de introduzir o ouvinte a um casal fictício e mostrar o desenrolar da relação: seus desafios, seus momentos felizes, e a “energia eletrizante” que une tudo isso. O enredo e todos os diálogos do álbum foram escritos pelo próprio James Bay.

O álbum começa com uma Intro falada, onde podemos escutar o casal conversando. Dado seu teor, temos a impressão de estar acompanhando a parte final de seu relacionamento, onde ambos já estão desgastados com a situação, mas ainda se gostam. No final da intro, um deles sugere “let’s go back”, o que dá a entender que o ouvinte será levado para um flashback da relação deles, ao início de tudo.

Wasted on Each Other, que não-literalmente significaria algo como “embriagados um no outro”, parece complementar a ideia da Intro: Vemos um relacionamento não muito saudável, que por algum motivo não explicado previamente está deteriorado e faz mais mal do que bem para ambas as partes; mesmo assim, o casal da história não quer admitir que a relação chegou a esse ponto, e por isso, não querem se separar. “Ela” está disposta a recomeçar, “Ele” está confuso sobre seus sentimentos, mas também não parece querer desistir. E assim eles seguem nesse vai e vem, termina e volta, embriagando-se, viciando-se cada vez mais um no outro.

Pink Lemonade parece dar início ao “flashback” e é sobre fuga, sobre negação. É sobre alguém que está inconformado com a vida e o rumo que ela o está levando. “Ele”, o personagem do James, quer escapar disso, mas, ao mesmo tempo, está incerto sobre qual o melhor próximo passo a dar. Pink Lemonade representa aquela vontade de sumir, de fugir de tudo mas, na verdade, não fazer nada a respeito.

Wild Love parece marcar o início do romance dos personagens principais. Parece simbolizar aquele primeiro momento onde você vê alguém e instantaneamente se apaixona por ela(e).  Parece falar também, sobre a capacidade que essa pessoa tem de tornar o relacionamento interessante e “relaxado” todos os dias. Wild Love é sobre se apaixonar totalmente por alguém, sentir uma fúria, um fogo. Que na maioria dos casos é o que você sente na primeira vez, mas no caso dele é algo que ele sente de novo e de novo. Depois de viajar tanto tempo em turnê, ver tantas pessoas, James voltou para casa pra ver essa pessoa dele [a que ele sente esse “Wild Love”] e ele pôde sentir toda essa euforia de novo e foi incrível voltar pra companhia dessa pessoa. No clipe, podemos ver o uso de várias borboletas tanto em volta do James quanto de Natalia Dyer (seu par romântico no clipe), que também reforçam essa ideia de liberdade, criatividade e de que “há algo de especial” nos personagens, que os diferenciam do resto.

Us simboliza o famoso “problemas no paraíso”, é aqui que aparentemente o casal-protagonista tem seu primeiro desentendimento. O personagem de James está chateado com a situação, mas quer dar uma nova chance ao relacionamento, quer consertar tudo e ficar de bem com sua amada. O sentido da música de uma forma geral, parece ter estreita relação também com a importância de aceitar a dor. No clipe, por exemplo, o personagem interpretado por Bay acredita que somente ele passa por uma situação difícil, o que é exemplificado por ele passar a maior parte do clipe sozinho em uma sala. Ao mesmo tempo que isso ocorre, vemos em paralelo outras cenas, com outros personagens, e, em cada uma delas, pessoas mostrando formas diferentes de aceitar a dor. Na conclusão do clipe, é como se “Ele” descobrisse que não está sozinho e que todo mundo passa por essas situações, tanto em relacionamentos, como em outros casos e que, quando estamos com alguém, seja parceiro ou amigos, você percebe o quão forte é a força do amor. Isso o faz seguir em frente e “tentar mais uma vez” salvar seu relacionamento.

In My Head é como se o personagem de James (“Ele”) estivesse tentando fazer as pazes com sua amada (“Ela”), a impressão que temos é de que esta música representa aquela típica cena de filme de comédia romântica, onde o mocinho larga tudo o que está fazendo, corre para a casa da heroína e faz um grande gesto romântico para provar seu amor por ela. É o clássico “eu estou errado e sei disso, mas eu te amo, por favor, me perdoe.”

O Interlude parece complementar essa ideia de In My Head, a suposta ida do “Ele” à casa dela e uma possível conversa entre eles. É o resultado da música anterior.

Just for Tonight, parece representar mais uma tentativa do “Ele” para que o relacionamento dê certo. Aqui, o personagem “Ele” propõe à “Ela” que, apenas por aquela noite, eles esqueçam tudo de ruim que se passou, todos os problemas, e tudo ao redor, e que tentem aproveitar a companhia um do outro, que tentem lembrar as coisas boas que os uniu em primeiro lugar.

Wanderlust se passa em uma fase mais tranquila do relacionamento. É James reafirmando mais uma vez seu amor pela amada e tentando se desculpar pelo que fez, pelas vezes que deveria ligar para “Ela” e não ligou, pelas vezes que esteve em sua porta mas não bateu. A palavra Wanderlust aqui parece ter um significado além do “grande impulso por viagens” normal, aqui parece ir além e significar algo como impulsividade, como querer fazer o que é certo mas não conseguir por causa da impulsividade.

Em I Found You o personagem principal basicamente diz que apesar dos vários problemas que ele enfrenta, tudo está bem, pois ele encontrou “Ela”. Aqui a crise parece ter cessado.

Sugar Drunk High e Stand Up têm significados muito parecidos e são ambas diretamente ligadas: nas duas, James fala sobre a inocência, a imaturidade que o casal tinha ao conduzir o relacionamento. Elas representam uma reflexão, um balanço geral sobre tudo o que se passou entre eles.

Fade Out relata o ápice do relacionamento, o pico dos problemas. Aqui, “Ela” já não atende mais suas ligações, deixa “Ele” no vácuo, promete e não cumpre e até esquece seu nome. O personagem “Ele” perde a paciência e esperança de vez no relacionamento e decide pôr um fim a tudo.

Em Slide o inevitável acontece: o casal se separa. Eles tentaram de toda forma que foi possível ficar juntos, mas não conseguiram. Slide é a mais dura observação da realidade no álbum, que diz que nós tentamos o nosso melhor e todos nós nos adoramos uma vez ou outra em nossas vidas, mas nada é perfeito. E agora, cada um começa a seguir um caminho diferente. É uma música bem realista, sobre o fim de muitos relacionamentos.

O álbum em si, de acordo com James Bay, mostra o outro lado dele que não conhecíamos, em Chaos And The Calm, por exemplo, ele mostrava um lado totalmente romântico e perfeito de um relacionamento. Nesse álbum, James explorou a importância da comunicação entre os seres humanos.