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Antes do lançamento de Chew On My Heart, James Bay concedeu uma entrevista, feita pela plataforma Zoom, ao site NME e respondeu algumas perguntas sobre a produção do single novo e quais são os planos para o próximo álbum.

James também contou sobre sua experiência ao trabalhar com Brandon Flowers da banda The Killers e como foi descobrir que Tyler, the Creator, é um grande fã.

Confira a tradução da matéria feita pela nossa equipe abaixo:

O novo single ‘Chew On My Heart’ e o álbum que “quebra os limites”.

NME: Você cortou seu cabelo para o seu segundo álbum e seus fãs não ficaram felizes. Eles já te perdoaram?
James: É a coisa mais engraçada. Na semana passada mais ou menos, pelo espírito de relembrar a música ao vivo durante estes tempos estranhos, eu postei alguns vídeos de um show solo acústico que fiz para recordar com os fãs. Eu postei um com violão acústico e cabelo muito curto ao lado de alguns mais recentes com meu cabelo longo de quarentena. Todos os outros comentários neste vídeo são: “Traga de volta o corte de cabelo curto! Eu sinto falta do cabelo curto! Corte o cabelo!” Eu não posso ganhar! Todos os meus heróis da música tiveram centenas de cortes diferentes de cabelo através dos anos, como David Bowie. Não descarte a possibilidade de outro corte de cabelo em breve.

NME: Enquanto estava em turnê com o último álbum, você conheceu Tyler, The Creator. O que aconteceu lá?
James: Eu estava tocando no Lollapalooza em Chicago com meu corte de cabelo curto e minhas roupas diferentes e minha nova visão de mim mesmo enquanto artista. Eu me posicionei no palco em frente a milhares de pessoas as quais eu não esperava que fossem se animar com minhas músicas e elas cantaram ‘Let It Go’ à plenos pulmões e pularam muito com ‘Pink Lemonade’ – aquilo foi louco. Eu terminei o show e meio que fui puxado pelo ombro nos bastidores. Eu me virei e, em meio a um pequeno grupo de pessoas, esse adorável cara apontou para mim e disse: ‘Eu vi você no Saturday Night Live, e você estava em uma blusa rosa tocando uma guitarra preta, e aquilo foi brilhante pra car*lho!’ Era Tyler, The Creator. Ele continuou apontando para mim, ‘mais e mais daquilo!”. Ele é um baita talento incrível e é uma das vozes mais importantes na música agora. Foi uma honra imensurável ser reconhecido por ele.

NME: Seu próximo álbum vai seguir um estilo parecido com o EP do último ano? James: Muito das minhas escolhas são baseadas em forçar os limites. Eu acho que fiz isso sonoramente no segundo álbum, pois ficou muito diferente do meu álbum de estreia. Eu não pensei do mesmo jeito na sonoridade do EP: eu só tentei construir as músicas para fazer algo diferente de novo. O projeto foi uma terapia para mim. Nós todos passamos por momentos ruins e eu passei por um naquela época. Eu precisava trabalhar aquilo de alguma forma e expressar criativamente, então o EP é sobre isso. Em contraste, o próximo álbum é a coisa mais positiva que já escrevi. Têm ainda alguns poucos momentos de tristeza e meio pesados, mas a maioria é animada.

NME: Seu novo single, ‘Chew On my Heart’, é em um estilo muito mais pessoal do que o seu trabalho anterior – essa é uma dica do que vêm por aí?
James: Eu sou tipicamente uma pessoa muito reservada e esse próximo álbum é muito mais pessoal e vulnerável. Minha namorada de longa data e eu nos conhecemos desde criança; nos conhecemos antes de tudo isso acontecer em nossas vidas. O álbum é tributo a nossa jornada.

NME: É um desafio maior expressar sua vulnerabilidade por estar cada vez mais reconhecido?
James: Sim, eu acho que é muito mais difícil. A vulnerabilidade chegou mais com o passar do tempo. Antigamente, eu escreveria músicas que de algum modo estaria enraizado em um tipo geral de tristeza ou realidade, um tipo de decepção com a qual as pessoas se identificassem. Quando eu comecei a escrever esse álbum, eu voltei ao meu poço de tristeza e decepção de sempre… e não é como se ele estivesse seco ou que fosse um poço vazio, nem nada – eu só não consegui buscar inspiração de lá, dessa vez. Eu descobri que o queria dizer era mais uma comemoração dessa longa jornada em que estive – e que ainda estou – com alguém e isso é algo que quero meio que gritar nesse próximo grupo de músicas.

NME: É difícil lançar músicas positivas nesse momento?
James: É muito estranho porque eu as escrevi e então o mundo entrou em lockdown. Trazer algo mesmo que remotamente positivo nesses tempos de luta e angústia é estranho, mas imagina se em tempos de difíceis só falássemos de coisas difíceis? Acho que, sempre que possível, é importante iluminar os momentos de felicidade que encontramos na nossa vida, principalmente no momento atual. Por mais estranho que possa ser, é legal ter um pouquinho de felicidade para dar às pessoas entre todas essas coisas difíceis.

NME: Como você se sentiu ao voltar a gravar em Nashville?
James: Eu comecei lá e é ótimo retornar. Eu amo Nashville pela sua história; Sempre amo mergulhar na musicalidade que existe lá. Eu gravei o álbum no RCA Estúdio A, bem ao lado do renomado Estúdio B onde Elvis Presley gravou vários álbuns. Mesmo no Estúdio A, a história daquele lugar é insana. Meu fato favorito foi quando meu produtor me disse, 25 minutos após ter chegado lá, que o lugar exato em que eu estava foi onde Dolly Parton gravou duas músicas: “I Will Always Love You” e “Jolene”. Gravar naquele lugar sagrado foi incrível. Senti um pouquinho de pressão gravar para meu próximo álbum depois de escutar isso!

NME: Como foi trabalhar com o produtor da trilha sonora de Nasce Uma Estrela?
James: Foi ótimo. Ele é inspirado por pessoas como os irmãos Gallagher assim como é por country e música americana. Eu fiquei sabendo que Dave é meu fã e que estava interessado em trabalhar junto comigo, o que é algo incrivelmente lisonjeador. Um dia quando estávamos no estúdio, o assistente dele chegou com uma placa onde se lia “7 Milhões de cópias no mundo”, se referindo a quantidade de cópias de Nasce Uma Estrela [trilha sonora] foram vendidas – o que é insano. Dave foi tão humilde e não parecia nem um pouco iludido pelo seu grande sucesso. Uma das coisas mais assustadoras de fazer com ele foi gravar ao vivo e com pura intuição, algo que ele é muito a favor. Quando você faz isso, confia inteiramente no momento, na performance, na qualidade do quanto você e os músicos tocam e o tipo de humanidade que a música trás, ao invés da diversão robótica, digital e chamativa que você pode ter depois.

NME: Você recentemente também trabalhou com o Brandon Flowers do The Killers.
James: Ele me convidou para ir a um estúdio onde escrevemos e fizemos a demo de uma música. A lição que eu tive de trabalhar com ele foi incrível e estar junto a ele, o vendo trabalhar e compor música do jeito que ele compõe é algo que eu nunca vou esquecer. É um profissional de primeira e merece o status de lenda que já tem. Eu trouxe a melodia para a música que estávamos fazendo e ele disse, “Incrível, é como se fosse uma melodia que veio direto dos Beatles”. Eu fiquei tipo “OK, o Brandon Flowers está comparando a melodia que eu fiz com os Beatles – É surreal!! Foi um momento muito legal.

NME: Como um artista que conquistou seu espaço vindo dos locais de música popular, como você enxerga os atuais problemas dessa indústria?
James: Eu não teria as chances que eu tive se não tivesse passado por esses lugares e o governo deve tratar com a devida importância esses locais de base e agir… senão seremos prejudicados. A indústria da música no século 21 é muito da internet: Nós vemos “músicos de quarto” e vemos pessoas se destacarem na cena musical através de blog, ou um canal no YouTube meio que da noite pro dia. Mas em algum momento dessa jornada, eles precisam subir num palco para desenvolver sua performance. A indústria faliria sem tais locais que cultivam artistas emergentes, transformando bons artistas em grandes artistas. Billie Eilish é alguém que estava muito presente no online, fazendo músicas maravilhosamente complexas e construídas por computador. Mas todos nós sabemos, porque a vemos em festivais e em shows ao vivo no último ano, que o público vai à loucura na presença dela. É como assistir Nirvana ou algo do tipo. Ela já era fantástica online na internet. Ao vivo, ela é extraordinária. Sem palcos para apresentações, nós teríamos muito menos artistas por vir. Nós não podemos deixar isso acontecer.
Fonte | Tradução e adaptação: Equipe James Bay Brasil – Não reproduzir sem os créditos.


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