Em maio deste ano, James Bay cedeu entrevista ao programa de rádio canadense Q, que é transmitido pela CBC Radio One. Na ocasião, James conversou com o apresentador Tom Power sobre o “Electric Light”, coragem, e o que o motiva a se esforçar criativamente e a continuar tentando coisas novas.

Para facilitar o entendimento dos fãs, o James Bay Brasil compilou a entrevista em matéria, abordando os principais tópicos da mesma, confira:

Fã do programa e a pressão em fazer um segundo álbum:

A entrevista começa com Bay dizendo, logo de cara, que já ouviu algumas edições anteriores do Q, que é um grande fã do programa e que se sente honrado por estar nele. Tom agradece e pergunta a James como ele se sentiu antes de fazer um segundo álbum, se ele se sentia pressionado.

James responde que se sentiu empolgado, ele fez turnê com as canções de “Chaos and The Chalm” por três anos e meio, quase quatro, e isso poderia ter se estendido até 2017. Apesar de afirmar gostar de suas músicas antigas e ter sido uma experiência incrível estar em turnê, ele queria ter músicas novas, pois estava sendo chamado para tocar em lugares novos e em outros onde já havia estado, mas sentia falta de ter músicas novas.

Além disso, Bay afirma também que não queria ser do tipo de artista que “enjoa” de suas próprias músicas, então, era vital que ele pausasse a turnê antes do previsto e fizesse músicas novas.

Tom questiona então como ele se sentiu estando no estúdio, durante a gravação do álbum. James faz uma comparação com o processo de gravação do primeiro álbum para responder: “Era minha primeira vez em um grande estúdio e eu não sabia o que estava fazendo, apenas seguia os outros, neste, eu já sabia como ‘dirigir’, já tinha as ferramentas.” Ele continua, dizendo que queria ficar perto de casa desta vez (o primeiro álbum foi gravado em Nashville), e que por isso, escolheu um estúdio no subsolo de um prédio na esquina de sua casa, na Inglaterra, bem pequeno e escuro que não era chique ou grandioso.

Se não houvesse pressão, não seria importante” – afirma Bay, acrescentando que sabia da existência de uma certa pressão sobre o segundo álbum e de sua importância, mas também, do quanto era importante não deixar que ela o dominasse. A escolha peculiar do estúdio também foi proposital, pois se ele estivesse em um estúdio muito grande ou renomado, sentiria a pressão recaindo mais intensamente sobre si.

James diz que se divertiu bastante na gravação do segundo álbum, o qual considera seu melhor trabalho até hoje, e que sentiu a necessidade de mudar a vibe nele; ele explica que seu primeiro CD foi feito em um estúdio luxuoso e, por isso, sabia que desta vez, precisava de um estúdio menos sofisticado e ir simplesmente “encaixando” as coisas.

Ele encerra o assunto dizendo que pensou consigo mesmo: “Isso tem que resultar na melhor coisa que você já vez na sua vida.” E que, após concluir a gravação de “Chaos and The Calm”, ele saiu do estúdio já pensando no que faria em seu próximo álbum.

Novas Inspirações e Ouvindo Sua Própria Música

O papo continua, e Power pergunta se James ouve suas próprias músicas, ou se isso é algo que o faz sofrer. James responde que como ainda é algo recente, ele não tem problema em ouvi-las, mas que um dia desses quando começou a tocar um de seus hits na rádio, ele se pegou desligando-o. Ele completa que não tem raiva em escutar suas próprias músicas, ele só não as escuta.

Sobre inspirações musicais para “Electric Light”, Bay diz que procurava um som mais orgânico, e que conforme o tempo passou em sua turnê de “Chaos and The Calm”, ele ouvia menos e menos os artistas que inspiraram a composição desse álbum e mais e mais novos artistas, como Frank Ocean, David Bowie e Chance The Rapper.

Tom pergunta a James então, se ele vê algo em comum entre os três artistas e ele responde: “Coragem, todos eles são muito corajosos e isso é algo muito inspirador para mim”, Tom indaga o que é coragem para James, o que ele quer dizer com isso, e ele explica “Esse é um dos principais requisitos para ser um bom artista. Não ter medo de nada, [nem] de cobrar de si mesmo e dos outros. Como no meu caso, muitas pessoas vieram me dizer ‘eu adorei seu novo álbum, é diferente de tudo que eu esperava’ e é exatamente essa a questão, se ele fosse previsível, não seria interessante.”

Expectativa, Mudanças e o Processo Criativo

A pauta muda e James Bay começa a falar sobre expectativas dos outros sobre ele.

Ele diz que não tem dificuldade em lidar com elas, mas que, às vezes, tem problemas em lidar com o rótulo que as pessoas o dão e com a mente “fechada” de algumas pessoas; ele é considerado por muitos como um artista de músicas mais “lentas, tranquilas, e intimistas” e sabe que esse é o seu forte, por isso, foca nisso. Mas ele alega sentir a necessidade de focar também nos outros ritmos que fazem parte dele, tudo isso em nome da evolução da arte e da coragem, porque, segundo Bay, no momento em que você começa a se limitar com medo do que as pessoas vão pensar, você está acabado.

Ainda neste assunto, James expande-o um pouco mais e relata com detalhes, como foi seu processo criativo, e a sua relação com a gravadora quando comunicou a ela sua mudança musical e visual: “Eu vou te contar o que aconteceu, eu comecei a fazer músicas novas, e no momento que sentei e ouvi “Wild Love”, uma das primeiras que eu compus e gravei para esse novo álbum, eu sabia que ela não era uma música pro cara de chapéu e cabelos longos que tocava violão o tempo todo, eu sabia que era a hora de começar um novo capítulo e mudar. E no momento que eu contei isso pro pessoal da gravadora, eu fiquei muito grato pela coragem deles, porque o que eu fiz da primeira vez funcionou e culminou em músicas muito bem-sucedidas e um visual marcante, o que para um artista em seu álbum de estreia não é algo fácil de se conseguir. E, em uma das últimas entrevistas escritas que eu dei, eles disseram que ‘há muitos artistas por aí, há muito mais tempo na música que James, que não conseguem ser reconhecidos tanto pela sua aparência quanto pela sua música’, eu encarei essa realidade nos olhos e disse ‘mas se eu continuar do mesmo jeito, tendo apenas lançado um CD até agora, eu estarei tendo medo’. Coisas boas não duram para sempre, você tem que se aprimorar e mudar. Eu sou muito grato ao meu time, ao diretor da gravadora e todos os envolvidos, por abraçarem isso totalmente comigo; porque eles acreditaram na música assim que eu comecei a fazer o segundo álbum, e eu não poderia conseguir algo melhor do que isso, porque preciso do apoio deles.”

Revolução Acústica” e A Relação Com os Fãs

Tom então indaga James, dizendo que leu em alguns artigos, o cantor britânico afirmar que queria começar uma “revolução acústica”.

James contesta essa afirmação e diz que suas palavras foram distorcidas. No início de sua carreira, quando começou a fazer sucesso, ele estava “aparecendo” pela primeira vez, logo, sentiu a necessidade de “ser alguma coisa” e de se declarar pertencente a um nicho em específico, mas nunca disse que se limitaria apenas a ele. Com a experiência no mundo musical, ele diz que começou a “vagar por um quarto escuro, tateando diversos gêneros musicais diferentes e vendo quais mais me identificava e podia agregar ao meu arsenal.”

Em seguida, James é questionado sobre seus fãs que preferem sua fase acústica, e se o músico se preocupa com eles.

Bay diz que sim, mas que tem um relacionamento tão bom com os fãs que sabe eles o apoiam não importa a fase que esteja. Além disso, James disse que todo relacionamento precisa “ser testado”, então, que ele “puxou os limites” com as novas músicas propositalmente, para ver até onde iria.

O britânico chega à conclusão de que se continuasse por muito tempo fazendo o mesmo tipo de música, os fãs ficariam entediados e acabariam não gostando, então, que é importante para ele como artista continuar ultrapassando barreiras e evoluindo.

Tom concorda com James e pergunta o que, em meio de tantas mudanças, continuou e continuará sendo da mesma forma em todo esse processo.

Bay acredita que provavelmente o processo criativo, onde ele sempre está com uma guitarra ou um piano e ideias para compôr; sempre ele e um instrumento, na busca das melhores melodias que ele puder pensar.

Ele conta que mesmo esta fórmula foi um pouco alterada durante a composição do Electric Light. Por vezes, Jon Green, com quem compôs o álbum, sentava ao piano e James na bateria (instrumento no qual não possui grande conhecimento nem habilidade), pois ele sabia que a possibilidade de acontecerem “acidentes felizes” justamente por ele não saber muito do instrumento, eram maiores, e foi exatamente isso que ele relata ter acontecido.

Power e Bay concordam que, ás vezes, quando você tem menos conhecimento em um instrumento, consegue composições melhores, através desses “acidentes felizes”.

James conta então um pouco de sua trajetória: “Eu queria ser guitarrista, apenas guitarrista, e eu pensava ‘minha técnica tem que ser impecável, eu tenho que saber todos os movimentos, ler partituras e etc. E hoje em dia, eu entendo porque me entediei rapidamente disso: porque não era tão reativo quanto quando eu só segurava o instrumento, tocava coisas aleatórias e algo muito bom surgia, entende? Quando você entende menos o que está fazendo, mas mergulha mais profundamente nisso, encontra coisas mais empolgantes.”

Artista de Rua

Como Ed Sheeran e Passenger, James Bay já foi também artista de rua e aproveitou a oportunidade para contar um pouco da sua experiência nesse seguimento.

O cantor e compositor já se apresentou pelas ruas de Brighton, onde morava, e relatou que a experiência mais legal que já passou nesse período, foi quando um amigo seu que tinha uma van e um gerador, ligou seus equipamentos a um amplificador e lhe cedeu um microfone. James conta que várias pessoas pararam para ouvi-lo e em determinado momento, a rua ficou tão cheia que os carros não conseguiam passar, seu público fechou a rua.

Sobre a pior experiência, James falou que uma vez tocava na frente de uma loja de instrumentos (sem amplificador algum) e um funcionário veio lá de dentro, pedir para ele sair da calçada, pois estava atrapalhando a música da loja.

Tom e James concordaram mais uma vez, agora sobre uma das melhores coisas do mundo ser a sensação de se ganhar uma plateia, seja abrindo o show de alguém, em uma noite de open mic, ou como artista de rua: Ver pessoas de braços cruzados no início da apresentação e se divertindo ao final não tem preço!

O apresentador pergunta a Bay qual o grande segredo para ser um bom artista de rua, James diz que cada um dirá que é uma coisa diferente mas que para ele, na maioria das vezes, foi o volume. E ambos riem.

O Que Faz Uma Música Ser Boa?

Nesta discussão, James conta que muitas músicas dos Beatles e praticamente todas do álbum “Bad” de Michael Jackson, são consideradas boas por ele, sejam as mais agitadas ou mais lentas, pois todas elas possuem uma espécie de “movimento” diferente.

Ele acredita ainda que boa parte do sucesso de uma música se deva a uma ponte (parte da música que conduz ao refrão) excelente, que crie a tensão e emoção necessárias na música até chegar no pico [refrão].

Como músicas memoráveis, James cita “The Best” de Tina Turner e “Man In The Mirror” de Michael Jackson, principalmente pela mudança de tom, que nos faz “perder a cabeça” segundo ele. Tom cita aindaBlitzkrieg Bop” do Ramones, como outro bom exemplo.

A entrevista é concluída com ambos afirmando que a maioria das pessoas ouvem músicas para se divertir, mas que, eles, enquanto músicos, sempre que ouvem alguma, acabam estudando-a, prestando atenção no que o artista em questão fez, porque é sempre interessante para eles se inspirarem e terem esse tipo de conhecimento.

  • A entrevista original pode ser encontrada aqui.