Faltando apenas 16 dias para o segundo álbum do James, Electric Light, a Epiphone conversou com ele sobre a pressão da indústria e sobre sua nova guitarra favorita. Confira a entrevista traduzida pela nossa equipe:

É ótimo falar com você de novo, James! Como está sua nova Epiphone Century?

Minha nova Epiphone está ótima, eu devo dizer. Eu vejo vários fãs postando e dizendo, “olha, eu tenho a sua guitarra assinada”, o que é muito legal. Mas para mim, ela é meio que minha favorita, como você sabe, esse modelo – o formato e o som. Epiphone foi obviamente muito, muito gentil comigo e me deu algumas relíquias que eram realmente incríveis, como a minha Century original de ’66. Nós acabamos de finalizar duas semanas de ensaio para a turnê e ela está incrível. E é triste retirar uma boa guitarra da turnê. Esses modelos com assinatura são realmente fantásticos.

Para guitarristas que não estão familiarizados com a Century, é um corpo oco e ainda muito alta desplugada. Ainda mais do que a Casino. Ela realmente é uma guitarra semi acústica.

Você disse tudo. Eu até gosto de como ela pode soar mais acústica e não tem um corpo muito “fundo”. Eu coloquei cordas de 0,12mm e desci um tom. E tem uma coisa nisso – ela fica bastante gutural e permanece muito ressonante. Eu posso te dizer que para o novo álbum, eu peguei uma Epiphone Coronet antiga e toquei boa parte junto com a Century durante a gravação do álbum. Eu sou apaixonado pela Coronet e tudo, mas é só uma tábua de madeira (risos). Não tem ressonância. Eu gosto da Century como um instrumento acústico. E entre isso ela soa muito bem plugada ou desplugada. Quando você tem a Century plugada, ainda parece um instrumento acústico, como uma caixa ressonante. E eu acho que parece uma combinação de muito ar se movendo e um tipo de massacre acontecendo. Eu amo isso.

Deve ser uma pressão muito grande em cima de você em gravar outro álbum. Como foi pra você reinventar sua música?

Boa pergunta. Sobre reinvenção… reinvenção foi uma dos aspectos mais excitantes sobre gravar um novo álbum. Eu não estava interessado em fazer a mesma coisa de novo. Não dá pra dizer que está completamente diferente, mas há momentos do novo álbum que estão muito distantes de Chaos and the Calm. E como pressão, eu absolutamente coloquei pressão em mim mesmo, e eu sei que há expectativas além da gravadora, além das pessoas das rádios, mas para os meus fãs – que são as pessoas mais importantes.
Eu acho pressão uma coisa excitante. Por exemplo, Bowie gravou Young Americans e então teve tempo para fazer outra coisa e alguns anos mais tarde sai Let’s Dance. É assim que funciona na minha cabeça quando eu penso num segundo álbum. Então, isso se torna uma coisa incrivelmente excitante. Além de mim, claro, existe as pessoas da gravadora que estão esperando de dedos cruzados que isso fique bom (risadas). Mas isso só me deixa mais animado. Eu acredito genuinamente que isso só nutre o quão bem eu posso fazer um álbum. Eu não consigo ver muita negatividade nisso. Eu sei que isso é ser muito otimista, porque eu poderia estar morrendo de nervoso e isso poderia ser horrível. Mas eu só aproveito essa parte da jornada onde as pessoas se perguntam “O que ele fará em seguida?”. Eu tenho essa “plataforma para intensificar?” e meio que conquistar a pressão e o momento. Eu abraço tudo. É muito divertido, eu devo dizer. “Vocês querem que eu tente fazer melhor da próxima? Bem, veja isso!”

Parece que os seus fãs apoiam essa mentalidade.

Eles apoiam. Eu tenho fãs de uma enorme variedade de gostos, o que é uma coisa incrível de poder dizer. Se todos os meus fãs forem como Dads aos seus 40 anos e amarem Wilco – por exemplo – isso irá imediatamente ser mais limitado e eu sei que eu tenho fãs que gostam de Justin Biebere eu tenho fãs que adoram Derek and The Dominoes e fãs que adoram o primeiro álbum da Adele. É um amplo aspecto. Musicalidade e criatividade, tem muitas coisas com as quais eu preciso trabalhar. Muitas influências diferentes que eu posso usar na minha manga. Há algumas músicas nesse novo álbum em que eu estava absolutamente relembrando de ter 12 anos na escola quando The Strokes estava fazendo música pela primeira vez.

Como você gosta de trabalhar no estúdio?

Mais do que da primeira vez. É uma confiança nova. Eu ainda amo a ideia de gravar ao vivo com um grupo, mas eu ainda não fiz isso. Eu tenho 100 segundos de gravação que foi assim. Eu tive um momento incrível da primeira vez, mas eu estava aprendendo as regras do estúdio, que é uma coisa complicada. E desta vez, eu realmente mudei meu ambiente. No primeiro álbum, nós fomos para Blackbird em Nashville, o qual você deve ser, está entre um dos top 10 estúdios do mundo. E eu me senti incrível lá. Mas eu saí da minha primeira experiência sabendo disso. E sabendo que eu queria fazer algo diferente com o segundo álbum, a última coisa que eu queria era estar em um estúdio chique. E pensando sobre isso, eu percebi que eu tenho mais confiança do que eu jamais tive no estúdio menos chique que você pode imaginar. E isso estoura aquela bolha de pressão, e faz tudo ser uma experiência divertida, sabe? Pressão desaparece e eu estava livre para escrever ótimas músicas e eu acredito que eu fiz isso. Eu estava livre para explorar como preencher essas faixas. Eu estava fazendo tudo isso entre Janeiro e Abril de 2017. Eu terminei a turnê em Dezembro de 2016 e comecei a fazer música em Janeiro de 2017, então a gravadora nem sabia o que eu estava fazendo. Eles não sabiam que eu estava trabalhando, então não existiu pressão. Eu enterrei os meus pés sem saber que estava fazendo isso. Eu permiti a mim mesmo ter uma experiência sem preocupações e divertida. Era um estúdio porão com uma pequena pedaleira 4×4. Não tinha ninguém me ligando pra saber como estavam indo as coisas, porque ninguém sabia que eu estava ali.

Então, fazendo esse álbum em um espaço pequeno e mais relaxante, como as músicas novas se transformam para uma banda inteira, para uma experiência de um palco enorme?

Não soa necessariamente como uma atmosfera íntima quando você escuta. Soa como se nós estivéssemos num lugar louco. Nós criamos isso sonicamente. Eu vou pro estúdio, tomo uma xícara de chá, e como uma mala de viagem que fica desfeita no quarto de hotel, você de repente tem cabos, microfones, teclados pra tudo que é lado. Eu adoro isso, porque isso não existe em Blackbird, o qual era um lugar divino com assistentes que estavam empacotando as coisas e arrumando os cabos debaixo dos seus pés enquanto procuram um sintonizador e de repente eles já ligaram a sua guitarra. Era o paraíso mas eu quis mudar o cenário. Cortar pra um pano de fundo diferente e me sentir em casa de uma outra forma. Foi uma ótima experiência e um caos agradável.

Enquanto você se prepara para sair em turnê com esse álbum, o que você tem escutado?

Várias coisas, cara – eu estou sempre pensando em como o David Bowie fazia as coisas no palco. Eu fui ver o Bon Iver noite passada e foi genuinamente excepcional. Eu escuto velhos artistas como Prince. O show do Drake foi ótimo. Eu vi filmes do Bruce Springsteen em estádios e outro dia eu estava em Nova York e fui assistir sua performance solo (no teatro Walter Kerr) e foi incrível. Então tudo desde um show do Drake até show solo do Springsteen me fez pensar sobre o que eu farei em vivo. Eu também tenho assistido coisas sobre dança contemporânea. Eu gosto de ver o que a iluminação faz e todo o conjunto de palco. Eu acho tudo inspirador.

Fonte | Tradução e adaptação: Equipe James Bay Brasil – Não reproduzir sem os créditos.