Com 27 anos, James Bay tem certeza de que ele está em sua quarta lua. “Eu estou em um lugar agora na segunda metade dos meus vinte anos, onde, pela primeira vez, tendo feito da música o trabalho da minha vida desde os 12 anos, eu realmente posso olhar para trás e pensar ‘o que eu consegui é incrível’, mas eu também cresci a partir disso”, diz Bay. “Eu sinto ter crescido [mais] do que nunca.”

Para explicar, a namorada e os pais do britânico vencedor do Brit Award estiveram lendo The Women Who Run With Wolves [Mulheres que correm com lobos]. Por isso Bay, usou a leitura do livro nos ciclos de lunares e os diferentes estágios do ser, para articular a sensação de que ele alcançou uma fase seminal em sua vida.

E ele não está errado. Após o sucesso do seu primeiro álbum, Chaos And The Calm, em 2015, Bay está de volta com um novo single, “Wild Love”. E enquanto a evolução mais óbvia de Bay é por fora, “Wild Love” revela uma mudança marcada em sua música também. O som deste Bay mais velho e sábio é mais eletrônico que seu material antigo.

As guitarras elétricas e os sintetizadores apresentam um forte desempenho, não apenas nesta música, mas ao longo do novo álbum, embora isso não diga que não tem o espírito de Rock ‘n’ roll de Bay. Como ele diz, a vibração “eletrônica caseira” é “misturada” com influências de Blondie, Bowie e The Strokes.

“Wild Love” também é uma despedida de Chaos And The Calm, liricamente. “Eu sou alguém que tem e continuará a ter inspiração de um ponto de vista ligeiramente mais frágil e desamparado em relação aos relacionamentos”, diz Bay à GQ, apesar do fato de ter estado em um relacionamento sério nos últimos dez anos. “Mas [enquanto] eu embora eu tenha usado esse caminho um pouco mais triste no passado, “Wild Love” é sobre estar totalmente apaixonado por alguém, a euforia explosiva que você experimenta naquele momento, a paixão furiosa.”

O single também é indicativo de dois dos temas mais amplos no próximo álbum: unidade e crescimento. “Isso veio dos últimos quatro ou cinco anos de viagens e turnês, de experiências com pessoas diferentes em todo o mundo, onde você trabalha e entende que a vida continua em movimento e, embora algumas coisas sejam difíceis de segurar, algumas coisas são importantes o suficiente para que valham a pena lutar.”

Duas coisas que Bay não teve problemas para deixar durante o período de metamorfose são os cabelos longos e aquele chapéu infame. “Eu nunca poderia ter previsto até onde poderia chegar”, lembra. Apesar ele tenha parado para considerar se foi uma jogada inteligente, em última análise, Bay acredita que “essa vida de trabalho na música pop vai de mãos dadas” com a mudança de seu visual. “Eu absolutamente tenho que evoluir… Assim como eu nunca iria fazer Chaos And The Calm 2. Muito da minha abordagem na escrita composição é a mesma… Mas você precisa mudar.”

Outra área de importância vital em que Bay está mudando são seus esforços pessoais para enfrentar a desigualdade de gênero na indústria da música. Durante a nossa reunião, que aconteceu logo após o Grammys, GQ e Bay falaram extensivamente sobre a sub-representação das mulheres na música. “É uma monte de besteira deprimente e pré-histórica”, diz Bay. “Há muitos homens que odeiam a realidade e querem fazer de tudo para mudá-la; infelizmente, há muitos homens que não querem mudá-la. Todos os outros só precisam, e continuarão a fazer tudo o que puderem para erradicar essa mentalidade.”

Um aspecto da música em particular, onde o próprio Bay percebeu que uma grande desigualdade. “Fui a uma faculdade de música e fiz um curso de guitarra. Havia muitas garotas tocando guitarra lá”, recorda Bay. Desde então, ele já viu muitos dos seus antigos colegas de classe homens que tocavam guitarra, mas nenhuma das garotas encontra-se em qualquer lugar, apesar de serem qualificadas. “Eu estava procurando um novo técnico de guitarra – a pessoa que fica ao lado do palco, que reafina as guitarras – e é a coisa mais impossível de encontrar na indústria. Eu finalmente encontrei um, eu tenho o prazer de dizer. Eu apenas odeio essa realidade.”

“Por todas as minhas frustrações e de todos sobre isso, penso que se nós [apenas] falarmos sobre como nos sentimos, então nós perpetuamos o problema antigo. Vamos apenas fazer coisas sobre isso”, o maravilhosamente acordado Bay fala sobre usar sua própria posição para afetar a mudança. “As pequenas ondas tornam-se grandes ondas; cuide dos pequenos detalhes e os detalhes mudam.” Ele acredita muito na discriminação positiva e diz à GQ “no final da última turnê, tivemos uma garota na estrada conosco, com nosso grupo de rapazes. Na próxima vez, teremos seis ou sete indo como um grupo de turnê de 13 pessoas.”

Algo nos diz que a evolução de James Bay apenas começou.

 

Fonte | Tradução e adaptação: Equipe James Bay Brasil – Não reproduzir sem os créditos.