07
09

“Eu não posso dizer como me destaco dos outros artistas, mas posso falar como pretendo fazer isso”, disse James Bay quando perguntei o que o torna diferente da maioria de cantores bonitos, elegantes e incrivelmente talentosos na indústria da música. “Eu quero emocionar as pessoas da mesma maneira que minha música favorita me emocionou com o passar dos anos, e o que torna isso um dom único sou eu, porque não existem outros ‘eus’ por aí.” Derrubando o conceito de que os artistas de hoje e suas músicas não são o que costumavam ser (leia: não são tão bons quanto seus antecessores artísticos), Bay ficou no topo das paradas nos últimos meses com suas baladas cheias de alma reminiscentes de rockstarts do passado. Desde sua estreia com “Hold Back the River”, sobre perder contato com seus amigos e família ao ir atrás de um sonho, até sua mais recente balada “Best Fake Smile”, para a qual ele lançou um vídeo no YouTube em março, Bay claramente merece seu BRIT Awards (em 2015, ele venceu o Critics’ Choice award e em 2016, ele recebeu o prêmio de Melhor Artista Britânico Solo) e suas indicações ao Grammy 2016 (Melhor Revelação, Melhor Álbum de Rock e Melhor Música de Rock). Com o sucesso de sua apresentação no Grammy junto com Tori Kelly em fevereiro e seu excelente primeiro álbum, “Chaos and the Calm,” Bay está se preparando para sua maior turnê americana até agora, que começa em Orlando em 19 de setembro.

Entre as aparições em seus clipes—todos com a participação dele tocando guitarra e cantando (em um porão, uma garagem, no meio da rua e em cima de uma montanha)—tivemos a chance de conversar com Bay pelo telefone sobre a diferença entre o público europeu e americano, o começo de sua carreira musical e seus planos para o futuro.

Como você entrou para o cenário musical? Você sempre quis ser um músico ou você caiu sem querer nesse meio?
É normalmente uma mistura interessante e complexa dessas coisas. Eu acho que quanto mais você se desenvolve na música e se aprofunda em um tipo de túnel de Alice no País das Maravilhas, você percebe que há uma quantia de sorte envolvida e o resto é resultante de uma paixão inegável de querer tocar, escrever e se apresentar. Para mim foi sempre assim. Eu nunca falei “Eu quero fazer música, quero entrar para a indústria musical”. Nunca foi algo em que pensei. O que aconteceu foi: Eu era uma criança vendo popstars como Michael Jackson na TV e escutando seus discos sem parar e descobrindo Bruce Springsteen, e depois Kings of Leon e Ryan Adams e esses rockstars profundos colocando a alma deles nas músicas, e eu senti tanto isso. Quando criança, em frente do espelho em meu quarto com minha primeira guitarra, eu queria personificar todas essas pessoas, e tudo foi se desenvolvendo a partir daí. Como eu continuei a adorar tudo isso e querer imitá-los, uma coisa leva à outra, e quando você vê está fazendo uma turnê pelos Estados Unidos.

Parece que estamos fazendo parte de uma reaparição de cantores/letristas. De Ed Sheeran para Sam Smith e Hozier, um cara com uma guitarra, ou um piano, e uma bela voz está ganhando cada vez mais atenção. O que você diria que o diferencia de todos os outros?
É uma pergunta boa e difícil de responder. Meus fãs a responderiam melhor do que eu. Eu obviamente sou fã de outros estilos musicais; eu tento competir e sair na frente como todos fariam nessa situação. Eu quero que meu material seja considerado ótimo em todos os ambientes e em todos esses formatos [ao vivo, no álbum, na rádio]. Eu quero que as letras pareçam honestas, verdadeiras e escandalosas e, com sorte, levem você para outro lugar. Eu acho que não posso falar a alguém sobre como eu me destaco de outros artistas, mas posso dizer como pretendo fazer isso. Eu só quero emocionar as pessoas. A música faz isso, mas ser incluído nesta lista não é um feito fácil, é uma coisa difícil de se fazer. Eu quero emocionar as pessoas da mesma maneira que minha música favorita me emocionou com o passar dos anos. E o que torna isso um dom sou eu, porque não há outros ‘eus’ por aí.

Você é, obviamente, muito apaixonado por música, mas você parece ser uma pessoa apaixonada em geral. No que você concentraria sua paixão se não fosse um músico?
Quando criança eu adorava esportes e estar ao ar livre. Acho que seria legal ser um atleta. Eu participava bastante dessas coisas na escola.

Que tipo de esporte?
A corrida de 400 metros e tinha também este esporte bizarro que eu, na verdade, não sei muito chamado rugby.

Você cresceu e começou a trabalhar com música em uma época marcada pela internet em termos de pessoas baixarem suas músicas ilegalmente e os fãs constantemente seguirem você por mídias sociais e coisas assim. Como você lida com isso?
É parte da música e parte da cultura e é quase impossível, praticamente impossível, não reagir a esse tipo de coisa. Eu faço parte da geração, acho que são algumas gerações agora, que é esclarecida nesse mundo e então, eu sinto como se pertencesse a ele. Com relação a mim como músico, é impossível evitar, você tem que acompanhar. As regras são flexíveis, você pode criar as suas próprias regras, é possível transformar isso no que você quiser até certo ponto e eu descobri isso, mas acho que não tem muito como fugir no fim das contas.

Quais são os benefícios deste mundo conectado?
Com certeza tem seus benefícios. Eu estava tocando pelo país, tocando em lugares e na frente de pessoas. Eu não sabia se tinha sido notado, mas acho que lá no fundo, eu estava esperando por aquele momento em que alguém iria me filmar sem pedir e eu realmente não me importava na época. Como poderia? Então, alguém me filmou, e foi parar na internet, e uma gravadora viu e depois, várias gravadoras viram e todo mundo começou a se interessar e eu acabei assinando com uma gravadora que encontrou o vídeo. […] Tudo começou por aí, então, eu tenho que agradecer pelo fato de a internet existir.

Você já tocou pela Europa toda, e, embora sua maior turnê americana vá começar esse mês, você já tocou aqui antes. Há uma diferença entre o público europeu e americano?
Nos Estados Unidos, é esse lugar imenso. Todos estão meio que na mesma situação, mas também estão a milhões de quilômetros uns dos outros. A abordagem deles é diferente. Na maior parte, não importa quem você é e quantos shows da turnê esgotaram em 10 segundos.

Fale sobre seu processo de escrita: você espera pela inspiração ou você tem algum tipo de rotina a seguir para atrair a inspiração?
São as duas coisas. O processo para escrever uma letra vem inesperadamente. É a única coisa que você sabe que não vai saber durante todo o processo criativo. A única coisa que você sabe é que não vai saber como ela vai chegar, mas a inspiração vai chegar se você manter sua atenção voltada para ela e tiver seu instrumento em mãos, e continuar a escutar música e pensar sobre sentimentos e letras e a ser inspirado. Ela não chega simplesmente, você tem que trabalhar no processo criativo. Sabe, muda o tempo todo e ao mesmo tempo não muda nada.

A matéria original é do Time Out e você pode ler clicando aqui


continue lendo
James Bay Brasil 2019 | layout criado e desenvolvido por Lannie D. | Hosted by Flaunt | Visitas: | Online: